Amazonas está entre os três estados que mais desmatam na região Norte e especialista alerta para impacto socioeconômico nos próximos anos

Em agosto, o Amazonas respondeu por 20% de toda a área sob alerta de desmatamento na Amazônia, ficando atrás apenas do Pará, que respondeu por mais de 40%. Esses são dados do Deter, sistema operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável por operar alertas diários e subsidiar ações de fiscalização. No Amazonas, especialista alerta para o impacto socioeconômico dos efeitos do desmatamento para quem vive na capital e interior.
Entre os objetos de estudo da pesquisadora em Desenvolvimento Regional e economista, Michele Aracaty, está a economia verde, que visa aliar o desenvolvimento econômico à igualdade social. Segundo ela, ainda que o retrato apresentado pelo Deter compreenda o monitoramento de apenas um mês, a tendência de aumento no desmatamento na Amazônia já apresenta projeções negativas há anos.
“Como pesquisadora, vejo esse cenário negativo resultante de impactos socioambientais profundos que afetam não apenas a região em si ou o desequilíbrio climático, mas também prejudicam significantemente a imagem internacional do Brasil. Isso serve como um indicador principal da credibilidade do país em relação aos seus compromissos climáticos e sua reputação geopolítica”, destacou.
Impacto socioeconômico para a população que vive na Amazônia
Nos últimos anos, moradores da Amazônia Legal brasileira têm enfrentado os impactos das mudanças climáticas, que passaram a acentuar outros problemas da região, como o desmatamento e as queimadas. Apesar de serem práticas diferentes, geralmente acontecem juntas na degradação ambiental e trazem consequências para outras áreas.
“O desmatamento na Amazônia afeta diretamente a subsistência, a segurança e a economia das amazônidas (populações locais, como as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas). Destacam-se os impactos econômicos locais, como a destruição da bioeconomia, a ilusão de um crescimento temporário e o colapso da pesca. Além disso, são evidentes os impactos sociais, como a crise de saúde pública, os conflitos agrários e a violência, o êxodo rural com o consequente inchaço urbano, bem como a perda cultural e de identidade”, reforçou.
Recentemente, no Amazonas, o Governo do Estado estruturou Grupo de Trabalho para implementar o Plano de Bioeconomia Estadual, que estabelece diretrizes e eixos estratégicos voltados direcionados à ciência, tecnologia e inovação, empreendedorismo, sustentabilidade ambiental, entre outras prioridades.
“O próprio Amazonas deve liderar esses debates, porque é uma contradição muito dolorosa ver que decisões do futuro da floresta são tomadas em centros financeiros de outros estados. Para criar um futuro sustentável para a Amazônia, é fundamental substituir o modelo de destruição por uma economia que mantenha a floresta em pé, adotando práticas da Economia Verde, além de contar com uma forte presença do Estado e promover a inclusão social. As soluções mais promissoras juntam tecnologia, inovação, investimento, finanças globais e a valorização do ser humano”, pontuou.
Vulnerabilidades da Amazônia em foco
Durante o XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE), realizado em São Paulo entre os dias 9 e 11 de setembro, a pesquisadora e economista Michele Aracaty teve seu artigo lançado na revista Economistas. Intitulado “Como destravar a Amazônia e transformá-la numa potência global?”, o material destaca questões como desenvolvimento regional, os desafios da infraestrutura básica na Amazônia, saneamento básico, energia limpa, transporte eficiente e conectividade digital, além dos desafios da regularização fundiária e a insegurança jurídica que isso provoca nos moradores da capital e do interior das cidades inseridas dentro da região Amazônica.
“Contribuir com a construção desse material simboliza colocar a Amazônia, o meio onde nós vivemos, como a potência global sustentável que ela é. Isso contribui de forma direta para validar os dados científicos produzidos sobre o nosso bioma e atrai a atenção dos governantes, que são os principais responsáveis pelas mudanças e impactos econômicos”, concluiu.
O material completo das discussões apresentadas durante o XXIX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (SINCE) pode ser conferido no site do Conselho Federal de Economia (Cofecon) através do link: https://cofecon.org.br/cofecon/?page_id=1690



